
Justiça mantém prisão de policial que atirou contra esposa e fugiu com outra mulher
A Justiça manteve preso soldado da Polícia Militar, Cristiano Lima Paiva, de 39 anos, suspeito de atirar contra o carro da própria esposa em Boa Vista. A prisão dele foi decretada nesta quinta-feira (14) durante audiência de custódia.
O ataque à mulher ocorreu por volta das 14h30 desta quarta (14) no bairro Liberdade, na zona Oeste. Depois disso, ele fugiu acompanhado da “namorada”. Segundo a PM, o agente também resistiu à prisão e fez ameaças contra os policiais durante a ocorrência.
O g1 solicitou posicionamento da defesa que acompanhou ele na audiência de custódia, mas não recebeu resposta até a última atualização.
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Agora, ele é investigado pelos crimes de disparo de arma de fogo em via pública, dano qualificado, ameaça, desacato, resistência e embriaguez ao volante. O juiz plantonista, Esdras Benchimol, entendeu que todos foram cometidos no contexto de violência doméstica e familiar contra a esposa do soldado.
Ao decretar a prisão, o juiz destacou que a gravidade do caso é ainda maior pelo fato de Cristiano ser policial militar e ter usado uma arma oficial em uma situação pessoal.
“O exercício de violência com armamento público, por quem detém o dever institucional de preservar a ordem e a segurança, configura conduta de especial gravidade concreta, não abstrata, pois demonstra que o custodiado está disposto a utilizar os instrumentos do Estado em seu favor privado, desprezando os limites legais da função policial”, cita trecho da decisão.
Soldado da PM Cristiano Lima Paiva, de 39 anos, e foi preso
Reprodução/Facebook
Como foi a prisão do soldado
O caso começou depois que a esposa dele, de 49 anos, viu o marido em um bar acompanhado de outra mulher. Conforme o relato à polícia, ela parou o veículo e pediu que Cristiano retirasse os pertences da casa onde moravam.
Ainda segundo a vítima, o policial quebrou um copo, feriu a própria mão e, em seguida, sacou uma pistola da corporação e fez vários disparos contra o carro dela. No momento dos tiros, a mulher estava fora do veículo.
Após o ataque, ele fugiu para a praia do Caçari, às margens do Rio Branco, acompanhado da outra mulher, apontada como “namorada” dele.
Durante as buscas, a Polícia Militar recebeu a informação de que o homem estava ameaçando banhistas na região. Na praia, policiais da Força Tática se aproximaram e pegaram a arma do soldado sem que ele percebesse.
O suspeito questionou o motivo de terem recolhido a arma e foi informado de que era procurado por ter atirado contra o carro da esposa.
Segundo a PM, o soldado ainda disse: “Que bom que a Força Tática não topou comigo, porque eu, com uma calibre 12 carregada, iria confrontar com eles”. Mesmo advertido sobre a fala, ele ainda reiterou que, em caso de confronto, “levaria pelo menos um [dos colegas de farda] com ele”.
Depois disso, o policial pulou no Rio Branco e fugiu novamente. Com apoio de banhistas que estavam de jet ski, os agentes conseguiram acompanhar a fuga. Ele foi localizado escondido em uma área de mata após cerca de 500 metros de buscas. Segundo a PM, a ação durou “vários minutos”.
Os policiais informaram ainda que ele resistiu à prisão e precisou ser imobilizado e algemado. Durante a espera por uma embarcação para sair do local, Cristiano fez novas ameaças aos agentes, dizendo frases como: “Vocês vão pagar por isso aqui” e “isso não vai ficar assim”.
Na ocasião, ele pediu que as algemas fossem retiradas para “entrar em vias de fato” com a equipe e afirmou que não dependia da corporação para nada, que a ocorrência não iria dar em nada. O soldado se recusou a fazer o teste do bafômetro e, segundo a PM, apresentava sinais de embriaguez.
A arma dele foi apreendida. Além disso, também foram encontradas 11 munições deflagradas e cinco intactas.
O caso foi atendido por duas equipes da Polícia Militar e registrado na delegacia pelos crimes de disparo de arma de fogo em local habitado, dano qualificado com violência no contexto de violência doméstica, ameaça, desacato, resistência e condução de veículo sob efeito de álcool.
Arma e munições apreendidas com o soldado da PM
Arquivo pessoal
Em nota, a corporação disse que não compactua com qualquer conduta incompatível com os princípios legais, éticos e disciplinares que regem a Instituição e que “adotará todas as medidas administrativas, disciplinares e demais procedimentos militares que forem cabíveis, observando o devido processo legal e as normas vigentes”.
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