
Uma nova espécie de polvo azul do tamanho de uma bola de golfe, que cabe na palma da mão, chamou atenção de cientistas após ser encontrada em uma região profunda e pouco explorada do oceano próximo às Ilhas Galápagos, no Equador.
Uma nova espécie de polvo azul do tamanho de uma bola de golfe, que cabe na palma da mão, chamou atenção de cientistas após ser encontrada em uma região profunda e pouco explorada do oceano próximo às Ilhas Galápagos, no Equador. pic.twitter.com/8w9xvdrReA
— iG (@iG) May 25, 2026
Pequeno, raro e difícil de localizar, o animal vive a quase 1,8 mil metros de profundidade e impressionou os pesquisadores pela forte coloração azul, incomum em espécies encontradas no fundo do mar.
O polvo, batizado de Microeledone galapagensis, foi identificado durante uma expedição científica realizada com um submarino robótico e teve a descoberta publicada nesta segunda-feira (25) na revista científica Zootaxa.

O molusco analisado era uma fêmea com cerca de três centímetros na região principal do corpo, conhecida como manto, deixando o animal com tamanho parecido ao de uma bola de golfe.
As primeiras reações da equipe ao ver o animal pelas câmeras do submarino foram gravadas durante a missão. “Ele é minúsculo” e “É azul”, disseram os pesquisadores ao identificar o polvo no fundo do mar.
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Região pouco explorada
O polvo foi recolhido durante uma expedição do navio de pesquisa E/V Nautilus na Reserva Marinha de Galápagos. A missão contou com parceria da Charles Darwin Foundation e da diretoria do Parque Nacional de Galápagos. O animal estava em uma área de areia e pedras vulcânicas, em uma montanha submarina localizada a cerca de 25 quilômetros da ilha Darwin.
Além do exemplar coletado, outros três polvos parecidos foram vistos na mesma região entre 1.770 e 2.006 metros de profundidade, mas não chegaram a ser capturados. Todos estavam descansando sobre o fundo do oceano.

Os pesquisadores explicaram que os polvos dessa família eram conhecidos principalmente em regiões geladas próximas da Antártida e costumavam ter tamanho maior. A nova espécie encontrada perto da linha do Equador contraria essa ideia anterior e levou os cientistas a revisar a classificação do grupo.
Os autores afirmaram no artigo que os polvos das áreas profundas do Oceano Pacífico tropical ainda são pouco conhecidos e que encontrar animais em grandes profundidades continua sendo raro, o que dificulta entender melhor a diversidade dessas espécies.
A pesquisadora Janet Voight, autora principal do estudo e especialista em polvos, afirmou que nunca havia visto um animal parecido em mais de 40 anos de pesquisas sobre evolução desses moluscos.
Já a cientista Salome Buglass destacou que a descoberta mostra o quanto o oceano profundo de Galápagos ainda é pouco explorado e como novas espécies ajudam os cientistas a entender ambientes que permanecem praticamente escondidos da ciência.
Corpo quase sem cor na parte superior
Segundo o estudo, o Microeledone galapagensis possui pele lisa, poucos braços com ventosas e quase nenhuma cor na parte de cima do corpo. Já a parte inferior apresenta tons fortes de azul e roxo.
Os cientistas também destacaram que o animal não possui saco de tinta, estrutura usada por muitos polvos para se defender de predadores. O estudo mostra ainda que os braços curtos podem ser uma adaptação do animal para economizar energia durante a reprodução em ambientes extremos do fundo do mar.
A análise foi feita com tomografia computadorizada em alta resolução, que permitiu observar o interior do corpo sem danificar o único exemplar disponível. Segundo os autores, a técnica ajudou a revelar detalhes raros de espécies que vivem em grandes profundidades. Os pesquisadores optaram por esse método porque seria necessário cortar o animal para estudar partes como boca, bico e dentes, o que poderia estragar o único exemplar conhecido.
As imagens foram criadas a partir de milhares de registros de raio-X reunidos digitalmente para formar um modelo em três dimensões do corpo do polvo. Isso permitiu observar os órgãos internos sem abrir o animal. Segundo os cientistas, a análise confirmou que se tratava de uma espécie nunca vista antes pela ciência.
