Copom deve cortar Selic para 14,25% em semana marcada por inflação elevada

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O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne nesta semana com expectativa predominante de redução da taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. A maioria dos agentes de mercado ainda aposta no corte de 0,25 ponto percentual.

A avaliação é de que o acordo entre Estados Unidos e Irã deve ajudar a reduzir parte das pressões recentes sobre petróleo, inflação global e câmbio, abrindo espaço para a continuidade do processo de flexibilização monetária. A percepção é de que o cenário externo se tornou menos adverso do que há algumas semanas.

Ainda assim, parte do mercado considera que a decisão está mais dividida do que nas reuniões anteriores e admite a possibilidade de manutenção da taxa.

Inflação volta ao centro das preocupações do Copom

Apesar da expectativa de novo corte na Selic, a inflação voltou ao centro das preocupações do mercado e do Banco Central. O IPCA de maio, divulgado na sexta-feira, registrou alta de 0,58%, enquanto a inflação acumulada em doze meses avançou para 4,72%, acima do teto da meta estabelecida para o período.

Analistas destacam que a alta dos combustíveis, dos alimentos e dos serviços continua pressionando os índices de preços. Além disso, as expectativas de inflação seguem acima da meta de 3% nos horizontes observados pelo Banco Central.

O cenário também incorpora riscos associados ao comportamento do petróleo, aos efeitos climáticos sobre a produção agrícola e à continuidade do crescimento da demanda doméstica. A combinação desses fatores tem reduzido o espaço para cortes mais profundos nos juros.

Comunicado deve ser cauteloso

Mesmo que o Banco Central confirme um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, a expectativa predominante é de um comunicado mais cauteloso após a reunião. A avaliação é que a autoridade monetária deverá evitar sinalizações claras sobre novas reduções de juros nas próximas reuniões.

Nos últimos meses, a política fiscal passou a ocupar papel central nas discussões do mercado, diante da ampliação de programas de crédito, estímulos ao consumo e medidas consideradas expansionistas em ano eleitoral. Analistas argumentam que essas iniciativas podem sustentar a demanda e dificultar a convergência da inflação para a meta.

Por isso, o Copom deverá reforçar a necessidade de acompanhar a evolução dos preços, das expectativas inflacionárias e do cenário fiscal antes de decidir sobre eventuais novos movimentos na taxa básica de juros. 

 

 

 

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