
O supertufão Bavi avança pelo Oceano Pacífico e colocou em alerta máximo os territórios norte-americanos de Guam e das Ilhas Marianas do Norte. Com ventos sustentados de cerca de 260 km/h e rajadas ainda mais intensas, o ciclone deve atingir a região entre a madrugada e a manhã desta segunda-feira (6), segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS).
Classificado como um tufão de categoria 5 — nível máximo da escala utilizada para esse tipo de fenômeno —, o Bavi representa risco de destruição severa, com possibilidade de ventos extremos, chuvas torrenciais, alagamentos costeiros e ondas que podem superar os 10 metros de altura.
Apesar de atingir um território dos Estados Unidos, o supertufão Bavi não deve provocar impactos nas partidas da Copa do Mundo disputadas no país. Isso porque o ciclone atua no Pacífico Ocidental, a milhares de quilômetros do território continental norte-americano.
Nas cidades que recebem os jogos, o principal desafio climático continua sendo a intensa onda de calor registrada em diversas regiões do país.
Evacuações e preparação para o impacto
As autoridades abriram centros de evacuação em Guam e reforçaram os alertas para que moradores de áreas mais vulneráveis procurem abrigo antes da chegada do sistema.
Equipes da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências dos Estados Unidos (FEMA) já foram mobilizadas e posicionaram estoques de água potável, alimentos, geradores de energia e outros suprimentos para atender a população caso ocorram danos de grande escala.
Em Rota, uma das ilhas que podem ficar mais próximas da trajetória do ciclone, autoridades locais pediram que os moradores sigam rigorosamente as orientações de emergência e concluam os preparativos antes do agravamento das condições climáticas.
Segundo o NWS, a aproximação do Bavi pode provocar inundações significativas, ressaca e danos estruturais provocados pela força dos ventos.
O que é um supertufão
Tufões são ciclones tropicais que se formam no Oceano Pacífico Noroeste. Quando atingem ventos extremamente elevados, passam a ser classificados como supertufões. O Bavi é o terceiro sistema de categoria 5 registrado em 2026.
Além da intensidade dos ventos, meteorologistas acompanham a rápida evolução do fenômeno porque ele se desenvolveu sobre águas muito quentes, com temperaturas entre 29°C e 30°C.
Além disso, é uma região com baixo cisalhamento do vento, isto é, os ventos sopram em direções e velocidades semelhantes em várias camadas da atmosfera. Isso permite que um ciclone tropical permaneça organizado e ganhe força.
Modelos meteorológicos indicam que o Bavi pode atingir seu pico de intensidade antes de começar a perder força gradualmente. Depois de passar pelas Ilhas Marianas, a previsão é que siga em direção ao norte do Pacífico, podendo influenciar áreas próximas de Taiwan e da costa da China ao longo da semana.
El Niño favorece tempestades mais intensas
Especialistas apontam que o fortalecimento do El Niño contribui para a formação de fenômenos extremos em diversas regiões do planeta. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que o fenômeno climático voltou a atuar no Pacífico tropical e tem potencial para provocar mudanças importantes nos padrões de temperatura, chuva e circulação dos ventos.
Ao mesmo tempo, o Serviço Copernicus, da União Europeia, registrou recentemente o mês de junho mais quente já observado nos oceanos. Águas mais aquecidas fornecem mais energia para ciclones tropicais, favorecendo tempestades mais intensas e com maior volume de chuva.
A região de Guam já sofreu impactos recentes de grandes ciclones. Em abril deste ano, o supertufão Sinlaku causou mortes, deixou milhares de moradores sem energia elétrica e provocou prejuízos bilionários à infraestrutura local.
