
Os Estados Unidos enviaram ao Irã um plano com 15 pontos para encerrar a guerra no Oriente Médio, segundo dois funcionários envolvidos nas negociações ouvidos pelo The New York Times. A proposta foi repassada por meio do Paquistão, que atua como intermediário entre os dois países.
O jornal não teve acesso ao documento, mas as autoridades afirmaram que o plano trata do programa nuclear iraniano, dos mísseis balísticos e de rotas estratégicas de energia, como o Estreito de Ormuz.
Ainda não está claro se o Irã recebeu formalmente a proposta em todos os níveis do governo nem se aceitará usá-la como base para negociação. Também não há indicação de que Israel, aliado direto dos Estados Unidos na ofensiva, concorde com os termos apresentados.
A iniciativa mostra uma mudança de foco em Washington. Enquanto mantém ataques em curso, o govero americano tenta abrir um canal diplomático para reduzir o impacto econômico e político da guerra.
Plano mira energia e pressão militar continua
Um dos pontos centrais da proposta envolve o Estreito de Ormuz, rota por onde passa parte relevante do petróleo e gás natural do mundo. Desde o início da guerra, o Irã tem restringido a circulação de navios ocidentais na região, pressionando o mercado global de energia.

Ao mesmo tempo, os combates continuam. Estados Unidos e Israel seguem atacando instalações militares iranianas, incluindo locais ligados ao programa nuclear e à produção de mísseis.
Teerã, por sua vez, mantém ofensivas com mísseis contra Israel e países da região. O país ainda possui cerca de 440 quilos de urânio altamente enriquecido, segundo as autoridades citadas.
Apesar da tentativa de negociação, a Casa Branca sinalizou que não pretende interromper a operação militar no curto prazo. Em nota ao The New York Times, a secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que os ataques continuam enquanto a diplomacia é explorada.
As conversas têm ocorrido de forma indireta. O chefe do Exército do Paquistão, marechal Syed Asim Munir, passou a atuar como principal intermediário entre Washington e Teerã.
Segundo autoridadess, ele mantém contato com lideranças iranianas e chegou a sugerir que o Paquistão sedie negociações formais entre os dois países. Egito e Turquia também têm incentivado a abertura de diálogo.
O governo paquistanês afirmou publicamente que está disposto a receber as partes para discutir uma solução. Ainda assim, não há confirmação de que encontros diretos estejam agendados.
Do lado iraniano, há obstáculos adicionais. Autoridades enfrentam dificuldades de comunicação interna e evitam deslocamentos por receio de novos ataques israelenses.
Guerra entra na quarta semana e segue sem desfecho claro
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de bombardeios contra alvos militares e nucleares do Irã. A ofensiva incluiu lançadores de mísseis, centros de comando e instalações estratégicas.

Logo no início da guerra, um ataque israelense atingiu um complexo da liderança iraniana em Teerã e matou o aiatolá Ali Khamenei, além de outros integrantes do alto escalão. A sucessão no comando ainda não está totalmente clara.
Desde então, o confronto se expandiu. O Irã passou a responder com ataques diretos, enquanto grupos aliados, como o Hezbollah, abriram novas frentes, ampliando o alcance da guerra.
Mesmo com a proposta americana, não há sinal concreto de cessar-fogo. Autoridades israelenses indicam que a ofensiva pode durar semanas, enquanto o Irã mantém resistência e nega que haja negociação formal em andamento.
A disposição dos Estados Unidos em apresentar um plano sugere uma tentativa de conter o conflito sem avançar, ao menos por agora, para uma mudança de regime em Teerã, o que vinha sendo cogitado no início da guerra.
