Vorcaro pode conseguir nova delação após PF reabrir conversas

Daniel Vorcaro, no protocolo de admissão no sistema prisional paulista, sem barba e de cabelo cortadoDivulgação/ SAP

Mais um revés envolvendo Daniel Vorcaro. A Polícia Federal (PF) decidiu reabrir as negociações de acordo de delação premiada com o ex-controlador do Banco Master. A retomada ocorre a menos de uma semana da corporação rejeitar a proposta inicial apresentada pela defesa anterior. A volta da polícia nas tratativas coincide com a recente troca de advogados que representa o banqueiro.

A nova fase de conversas com os investigadores da PF realoca a estratégia de defesa de Daniel Vorcaro. Na tentativa anterior, a PF e membros da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliaram que o roteiro do empresário era “pobre”.

As instituições apontaram que a versão apresentada até agora continha omissões explícitas, falta de detalhamento sobre transações financeiras, uma suposta blindagem de de nomes públicos, adicionado a pitada de “mais do mesmo”: sem elementos novos, como era esperado. 

Dentre as omissões há a relação estreita que o banqueiro tinha com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador e candidato a cadeira presidencial, Flávio Bolsonaro  (PL).

Após a rejeição, a defesa de Vorcaro deixou o caso em comum acordo com o empresário. Com a entrada de novos advogados, um novo canal foi aberto para a “reorganização dos anexos”, termo jurídico para organização de provas documentais. 

Segundo análise do advogado criminalista Roberto Parentoni, essa retomada exige uma reestruturação rigorosa e formal.

Parentoni esclarece que o retorno das negociações da PF não invalida diretamente o acordo passado e que depende da condução feita: “Depende da forma como a primeira negociação foi encerrada e do estágio em que ela se encontrava”.

Bastidores inflamados

A substituição da “banca de advocacia” de Vorcaro é vista nos bastidores do Judiciário e político como um ajuste técnico. Segundo Parentoni, de modo geral é que a mudança sinaliza que o investigado decidiu por aumentar o rol da denúncia, alcançando andares mais elevados da estrutura investigada.

O criminalista ressalta que, embora a atual defesa tenha o direito técnico de reorganizar tanto a estratégia, quanto a narrativa e provas, há um peso simbólico em casos de grande repercussão que pode acabar apontando para outra direção. 

Aumento das cifras vs. validação

Segundo informações de bastidores, a defesa de Vorcaro ofereceu aumento expressivo nas cifras que dizem respeito a multas e ressarcimento dos cofres públicos, acenando uma tração no novo acordo.

Mas o especialista em delação premiada ressalta que no molde de colaboração validado pela PF e Suprema Corte, o tamanho do cheque não substitui a falta de densidade nas revelações.

O montante financeiro ofertado por Vorcaro, aponta Parentoni, tem papel secundário na avaliação dos investigadores, caso as provas sejam ainda, rasas:

Tentativa melindrosa

Ainda segundo análise do especialista, a persistência em uma segunda tentativa eleva consideravelmente o risco jurídico para Daniel Vorcaro. Isso porque a PF detém provas, como aparelhos celulares apreenditos em fases da Operação Compliance Zero que apontaram incoerências nas declarações anteriores. Em caso de mais um fracasso, o cenário processual para o empresário se agrava.

Parentoni esclareceu que o ordenamento jurídico protege o investigado, qualquer um, enquanto na fase de tratativas, impedindo por exemplo, uso das confissões “inúteis” como elemento para determinar culpa. Ele ressalta porém, que existem caminhos indiretos que pode preocupar a defesa:

O especialista aponta ainda o peso do fator reputação do delator para com as intituções em que com uma nova recusa pode gerar forte desgaste e ruir a credibilidade negocial perante as autoridades. Parentoni finalizou afirmando que essa segunda rodada exige “extremo cuidado técnico e alinhamento rigoroso” da narrativa de Vorcario com “os elementos efetivamente comprováveis”.

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